CRISE FINANCEIRA MOSTRA IMPORTÂNCIA DA PALAVRA, EXPLICA PAPA

Meditação aos bispos no primeiro dia de trabalhos do Sínodo

-----------CIDADE DO VATICANO, As atuais crises financeiras mostram a importância de construir a vida sobre o fundamento firme da Palavra, explicou Bento XVI, ao começar a primeira jornada do Sínodo dos Bispos.
-----------«Vemos isso agora na queda dos grandes bancos: este dinheiro desaparece, não é nada. E assim todas estas coisas, que parecem a verdadeira realidade com a qual contar, e que são realidades de segunda ordem», explicou o Papa.
-----------Sentado na parte central da Sala do Sínodo, o Papa ofereceu uma meditação durante a oração da hora terça aos 244 padres sinodais presentes sobre o Salmo 118 (119).
-----------«A Palavra de Deus é fundamento de tudo, é a verdadeira realidade. E para ser realistas, devemos contar com esta realidade», assegurou o pontífice.
-----------«Devemos mudar nossa idéia de que a matéria, as coisas sólidas, que tocamos, sejam a realidade mais sólida, mais segura», exortou.
-----------Recordou que no final do Sermão da Montanha, Jesus fala das duas possibilidades de construir a casa de nossa própria vida: sobre a areia e sobre a rocha.
-----------«Sobre a areia constrói quem só constrói sobre as coisas visíveis e tangíveis, sobre o êxito, sobre a carreira, sobre o dinheiro. Aparentemente, estas são as verdadeiras realidades. Mas tudo isso um dia passará», assegurou.
-----------«E assim todas estas coisas, que parecem a verdadeira realidade com a qual contar, e que são realidades de segunda ordem. Quem constrói a vida sobre estas realidades, sobre a matéria, sobre o êxito, sobre tudo o que parece ser, constrói sobre a areia», explicou.
-----------«Só a Palavra de Deus é o fundamento de toda a realidade, é estável como o céu e mais que o céu, é a realidade. Portanto, devemos mudar nosso conceito de realismo. Realista é quem reconhece na Palavra de Deus, nesta realidade aparentemente tão frágil, o fundamento de tudo.»
-----------O arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, explicou depois aos jornalistas que a Palavra convida a ver a economia e as finanças como «uma realidade penúltima».
-----------«É inegável que as demais realidades, quando comparadas com a Palavra, revelam seus limites. São verdades penúltimas, mas não são a verdade última», explicou em uma coletiva de imprensa concedida após a primeira congregação geral do Sínodo.
«O tema de fundo que o Papa tratou não era a atual situação econômica, era a importância da Palavra de Deus no caminho do homem. E, a partir desta luz, as demais dimensões são como névoa e demonstram sua inconsistência», concluiu o arcebispo.

-----------PALAVRA É DOM, NÃO PODE TER USO BANALIZADO, DIZ ARCEBISPO

-----------Segundo D. Walmor de Azevedo, Sínodo enfatizará uma Igreja da Palavra

-----------Ao ter a meta de fazer da Igreja uma «Igreja da Palavra», o Sínodo destaca que «a palavra como dom está posta na pauta do caminho missionário da Igreja», afirma o arcebispo de Belo Horizonte.
-----------Antes de sua viagem a Roma para participar da assembléia do Sínodo dos Bispos, que inicia este domingo, D. Walmor Oliveira de Azevedo, responsável na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pelo campo da doutrina da fé, escreveu uma mensagem aos fiéis sobre o tema da palavra.
-----------Segundo o arcebispo, e palavra «é um dom». «Sendo dom, a palavra tem como propriedade a força criativa. O único uso devido da palavra é para criar, reconciliar, clarear, configurar e abrir horizontes novos de compreensão».
-----------Dom Walmor explica que «a grandeza criadora e redentora de Deus se revela na força da palavra»: «“E Deus disse: faça-se a luz. E a luz se fez” (Gn 1,3). “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14)», cita.
-----------«A Palavra de Deus, que é Jesus Cristo Salvador e Redentor, assume a condição humana, fazendo-se em tudo semelhante aos homens, exceto no pecado, obediente até a morte, e morte de cruz.»
-----------O arcebispo considera que é imprescindível ter «a consciência de se usar a palavra como dom».
-----------«Este uso da palavra, em todas as circunstâncias, requer nobreza e especialidade. Uma especialidade que supõe muito mais do que simplesmente fazer uso da palavra.»
-----------De acordo com Dom Walmor, o uso banalizado da palavra «tem esvaziado a configuração própria de dom que só a palavra tem».
-----------O prelado cita a fofoca como um exemplo de uso indevido e banal da palavra. «A fofoca nasce da incompetência de uso devido da palavra como dom. É habitual e cultural falar-se de tudo e sobre todas as coisas, até mesmo daquilo que não é da própria conta».
-----------«O uso indevido e inadvertido da palavra faz distante o tempo em que a palavra dada valia. A honra pessoal e a palavra dada eram inseparáveis», afirma.
-----------Dom Walmor de Azevedo recorda que «a palavra como dom está posta na pauta do caminho missionário da Igreja».
-----------«Não simplesmente em função de si mesma. É a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, a temática escolhida pelo Papa Bento XVI, ao convocar a XII Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos.»
-----------«Esta aposta é a decisão de atingir a meta de fazer da Igreja uma Igreja da Palavra, dela se alimentando e alimentando o horizonte de compreensão da humanidade.»
-----------«Nesta aposta está a certeza de que a Palavra de Deus como fonte é a referência para que a Igreja possa rejuvenescer e ter uma nova primavera, uma nova primavera para a humanidade», considera o arcebispo.

Fonte: ZENIT

 
















 
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