Sínodo
destaca: a Palavra de Deus na vida e na missão da igreja

Palavra
de Deus reúne bispos para o Sínodo
Representantes
da Igreja do mundo inteiro participarão, de 5 a 26 de
outubro deste ano, do primeiro Sínodo convocado pelo
Papa Bento XVI. Entretanto, este será o segundo Sínodo
presidido por ele, depois do dedicado à “Eucaristia:
fonte e cume da vida e da missão da Igreja”, em
outubro de 2005, convocado por João Paulo II.
Realizada no Vaticano,
a XII Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos terá
como tema “A Palavra de Deus na vida e na missão
da Igreja”. Criado pelo Papa Paulo VI, em 15 de setembro
de 1965, o Sínodo é uma resposta aos desejos dos
padres do Concilio Vaticano II, de manter vivo o bom espírito
nascido da experiência conciliar e resgatar a tradição
apostólica de direção colegiada da Igreja.
Segundo o Código de Direito Canônico, o objetivo
do Sínodo dos Bispos é incentivar a união
entre Papa e bispos e dar voz às Igrejas locais. Trata-se
apenas de um órgão consultivo, sem poderes deliberativos
ou executivos, prerrogativa exclusiva do Papa.
A palavra "sínodo"
deriva dos termos gregos "syn" (que significa "juntos")
e "hodos" ("caminho"), expressando a idéia
de "caminhar juntos". Podemos entender, portanto,
Sínodo como encontro religioso ou assembléia na
qual alguns bispos, reunidos com o Santo Padre, têm a
oportunidade de intercambiar informação e compartilhar
experiências, com o objetivo comum de buscar soluções
pastorais, que tenham validade e aplicação universal.
Em discurso ao
Conselho da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em
abril de 1983, o Papa João Paulo II disse que o Sínodo
é "expressão particularmente frutuosa e instrumento
da colegialidade episcopal”.
Preparação
nas bases
Para orientar
a preparação específica ao Sínodo
foi elaborado um documento, Lineamenta, com a finalidade de
apresentar o tema Palavra de Deus e recolher contribuições
ao Sínodo. Responderam aos Lineamenta as Igrejas Orientais
Católicas sui iuris, as Conferências Episcopais,
os Dicastérios da Cúria Romana e a União
dos Superiores Gerais, além das observações
de bispos, sacerdotes, consagrados, teólogos e leigos.
Os diversos pareceres
foram recolhidos e sintetizados no Instrumentum laboris, documento
de trabalho, para a assembléia sinodal. “A participação
foi grande e diligente da parte das Igrejas particulares em
todos os continentes, mostrando como a Palavra de Deus se propaga
verdadeiramente em todo o mundo”, afirma o secretário
geral, Nikola Eterovic, arcebispo titular de Sisak, no prefácio
do Instrumentum laboris.
Segundo o arcebispo,
o texto do documento sinodal contém um mosaico, onde
prevalecem aspectos positivos sobre a consciência da importância
da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. “Nele
se assinalam também aspectos que carecem ser melhorados
e integrados, sobretudo no que se refere ao maior acesso à
Escritura e a melhor percepção eclesial dela,
que certamente levarão a um renovado zelo apostólico
e pastoral no anúncio da Boa Nova aos que estão
perto e aos que estão longe e na animação
das realidades terrenas, contribuindo para a construção
de um mundo mais justo e pacífico”, afirma.
Para dom Nikola
Eterovic, espera-se que o Instrumentum laboris, redigido pelo
XI Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo
dos Bispos, com a ajuda de especialistas, seja um válido
documento de reflexão sinodal. “Poderá guiar
os padres sinodais no caminho descendente e ascendente da redescoberta
da Palavra de Deus, ou seja, de Jesus Cristo, homem e Deus.
É o que, de modo especial, acontece nas celebrações
litúrgicas”, explica.
O que se espera do Sínodo
Entre as contribuições
dadas pelos pastores encontram-se muitos pontos comuns, que
mostram o que se espera do Sínodo. Entre elas, estão
a necessidade de dar primazia à Palavra de Deus na vida
e na missão da Igreja, exigindo coragem e criatividade
de uma pedagogia da comunicação apropriada aos
tempos atuais; o convite a reconhecer que a Palavra de Deus
é Jesus Cristo; e a escuta da Palavra de Deus e toda
a leitura da Bíblia em atitude de comunhão e de
serviço.
Além disso,
consta do documento a necessidade de uma pastoral bíblica
e também de uma animação bíblica
de toda a pastoral, que inclua o ensino das verdades da fé;
a certeza de que a Bíblia é revelação
da Palavra de Deus, embora com muitas dificuldades de compreensão,
sobretudo do Antigo Testamento; a necessária comunhão
na fé e na prática da Palavra de Deus, pedindo
que cada Igreja particular acolha a Palavra no contexto da sua
situação peculiar; e o diferente modo de abordar
a Bíblia na Tradição latina e na Tradição
oriental, considerando-as uma riqueza; a competência e
a responsabilidade dos pastores em relação ao
anúncio da Palavra de Deus, com constante atualização
da sua formação; e a urgência de que o laicato
não seja apenas sujeito passivo, mas se torne anunciador
da Palavra de Deus, devidamente preparado e apoiado pela comunidade.
A estrutura do
Instrumentum laboris articula-se em três partes: a primeira
põe em foco a identidade da Palavra de Deus, de acordo
com a fé da Igreja; a segunda, trata da Palavra de Deus
na vida da Igreja e a terceira parte reflete sobre a Palavra
de Deus na missão da Igreja. Cada uma delas está
dividida em capítulos, para tornar a leitura mais leve
e clara.
Na introdução do documento, o texto afirma que
é desejo de muitos pastores que a contribuição
final do Sínodo “não seja apenas de caráter
informativo, mas incida na vida, provoque participação,
de modo que a Palavra de Deus se mostre viva, eficaz, penetrante
(cf. Heb 4, 12), através de uma linguagem essencial e
compreensível às pessoas”.
Fonte: Jornal de Opinião