Data : 14/07/2015

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Mulheres

8.3.3 Mulheres

Nossos valores de fraternidade e de sororidade nos permitem uma abordagem sobre as difíceis questões relacionadas ao papel das mulheres na Igreja. O movimento feminista moderno é unânime em seu protesto contra qualquer dominação das mulheres pelos homens, contra aquela corrupção do papel masculino que o feminismo chama de patriarcalismo. A busca da Ordem por uma fraternidade e sororidade que enfatiza a igualdade essencial, a co-responsabilidade e a complementariedade, nos abriu de imediato à crítica legítima, na verdade raiva, das mulheres e, ao mesmo tempo, ajudou a nos proteger de nós mesmos mostrando que fazemos parte dos sistemas injustos de dominação. Além disso, a intuição carmelitana de Maria como Irmã parece ser atraente para algumas mulheres.

Os escritos feministas sobre Maria cobrem um espectro muito amplo. De um lado, temos estudos positivos sobre a Virgem realizados por homens e mulheres que são sensíveis aos interesses feministas.306 Mas, nos extremos, existe um feminismo irado que vê Maria sendo deliberadamente usada por uma Igreja patriarcal para manter as mulheres passivas e submissas. Tais escritos são, muitas vezes, negativos sobre a própria pessoa de Maria.
A profunda descoberta de Hans Urs von Balthasar sobre o principal caráter mariano da Igreja308 é a mesma que ecoa da nossa tradição. Como nós sempre celebramos Maria como modelo para todos os carmelitas, podemos facilmente nos familiarizar com a  apresentação da eclesiologia em termos de suas dimensões marianas em vez de sua dimensão petrina ou institucional.

Estudos recentes na mariologia contemporânea dão uma forte ênfase apresentando Maria como uma mulher na Palestina. Contra as imagens da Virgem que, ao glorificá-la, na verdade retiram-na da humanidade real, existe hoje uma busca para descobrir Maria em sua humanidade como mulher e em sua feminilidade.309 Paulo VI deu um esboço inicial de uma abordagem antropológica de Maria no artigo 37 da Marialis cultus. É uma inovação importante no ensinamento dogmático, mas talvez devêssemos aproveitar seu impulso e inspiração em vez de considerá-lo como um retrato definitivo.

O modo como a tradição carmelitana celebrava Maria como Mãe e Irmã, assim como sua presença constante, deveria permitir que desenvolvêssemos facilmente um retrato atraente de Maria como mulher. A descrição dos relacionamentos íntimos entre Maria e seus seguidores carmelitanos no Monte Carmelo, conforme o antigo material legendário, dá uma boa base para tal reflexão.

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