Segunda-feira da 33ª Semana do Tempo Comum
(17 de novembro de 2008)
1) Oração
Senhor nosso Deus,
fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração,
pois só teremos felicidade completa, servindo a vós,
o criador de todas as coisas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso
Filho, na unidade do Espírito Santo.
2)
Leitura do Evangelho (Lucas 18, 35-43)
35Ao
aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à
beira do caminho, pedindo esmolas. 36Ouvindo
o ruído da multidão que passava, perguntou o que
havia. 37Responderam-lhe:
É Jesus de Nazaré, que passa. 38Ele
então exclamou: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!
39Os que vinham na frente
repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava
ainda mais forte: Filho de Davi, tem piedade de mim! 40Jesus
parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe:
41Que queres que te faça?
Respondeu ele: Senhor, que eu veja. 42Jesus
lhe disse: Vê! Tua fé te salvou. 43E
imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus.
Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus. - Palavra
da salvação.
3) Reflexão
* O evangelho de
hoje descreve a chegada de Jesus em Jericó. É a
última parada antes da subida para Jerusalém, onde
será realizado o “êxodo” de Jesus conforme
tinha sido anunciado na sua Transfiguração (Lc 9,31)
e nos avisos ao longo da caminhada até Jerusalém
(Lc 9,44; 18,31-33).
* Lucas 18,35-37:
O cego à beira da estrada
“Quando Jesus
se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à
beira do caminho, pedindo esmolas. Ouvindo a multidão passar,
ele perguntou o que estava acontecendo. Disseram-lhe que Jesus
Nazareno passava por ali”. No evangelho de Marcos, o cego
se chama Bartimeu (Mc 10,46). Por ser cego, ele não podia
participar da procissão que acompanhava Jesus. Naquele
tempo, havia muitos cegos na Palestina, pois o sol forte que bate
na terra pedregosa embranquecida fazia mal aos olhos sem proteção.
* Lucas 18,38-39:
O grito do cego e a reação do povo
“Então
o cego gritou: "Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!"
Ele invoca Jesus sob o título de “Filho de Davi”.
O catecismo daquela época ensinava que o messias seria
da descendência de Davi, “filho de Davi”, messias
glorioso. Jesus não gostava deste título. Citando
o salmo messiânico, ele chegou a perguntar: “Como
é que o messias pode ser filho de Davi se até o
próprio Davi o chama de “meu Senhor” (Lc 20,41-44)
? O grito do cego incomodava o povo que acompanhava Jesus. Por
isso, “as pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse
quieto. Elas tentavam abafar o grito. Mas ele gritava mais ainda:
"Filho de Davi, tem piedade de mim!" Até hoje,
o grito dos pobres incomoda a sociedade estabelecida: migrantes,
aidéticos, mendigos, refugiados, tantos!
* Lucas 18,40-41:
A reação de Jesus diante do grito do cego
E Jesus, o que faz?
“Parou, e mandou que levassem o cego até ele. Os
que queriam abafar o grito incômodo do pobre, agora, a pedido
de Jesus, são obrigados a ajudar o pobre a chegar até
Jesus. O evangelho de Marcos acrescenta que o cego largou tudo
e foi até Jesus. Não tinha muito. Apenas um manto.
Mas era o que tinha para cobrir o seu corpo (cf. Ex 22,25-26).
Era a sua segurança, o seu chão! Também hoje
Jesus escuta o grito calado dos pobres que nós, às
vezes, não queremos escutar. Quando o cego chegou perto,
Jesus perguntou: "O que quer que eu faça por você?"
Não basta gritar. Tem que saber por que grita! O cego respondeu:
"Senhor, eu quero ver de novo."
* Lucas 18,42-43:
”Jesus disse:
"Veja. A sua fé curou você." No mesmo instante,
o cego começou a ver e seguia Jesus, glorificando a Deus.
Vendo isso, todo o povo louvou a Deus”. O cego tinha invocado
Jesus com idéias não inteiramente corretas, pois
o título “Filho de Davi” não era muito
bom. Mas ele teve mais fé em Jesus, do que nas suas próprias
idéias sobre Jesus. Assinou em branco. Não fez exigências
como Pedro (Mc 8,32-33). Soube entregar sua vida aceitando Jesus
sem impor condições. A cura é fruto da sua
fé em Jesus. Curado, ele segue Jesus e sobe com ele para
Jerusalém. Deste modo, tornou-se discípulo modelo
para todos nós que queremos “seguir Jesus no caminho”
em direção a Jerusalém: acreditar mais em
Jesus do que nas nossas idéias sobre Jesus! Nesta decisão
de caminhar com Jesus está a fonte da coragem e a semente
da vitória sobre a cruz. Pois a cruz não é
uma fatalidade, nem uma exigência de Deus. Ela é
a conseqüência do compromisso de Jesus, em obediência
ao Pai, de servir aos irmãos e de recusar o privilégio.
* A fé
é uma força que transforma as pessoas
A Boa Nova do Reino
anunciada por Jesus era como um fertilizante. Fazia crescer a
semente da vida que estava escondida no povo, escondida como fogo
debaixo das cinzas das observâncias sem vida. Jesus soprou
nas cinzas e o fogo acendeu, o Reino desabrochou e o povo se alegrou.
A condição era sempre a mesma: crer em Jesus. A
cura do cego esclarece um aspecto muito importante da nossa fé.
Mesmo invocando Jesus com idéias não inteiramente
corretas, o cego teve fé e foi curado! Converteu-se, largou
tudo e seguiu Jesus no caminho para o Calvário! A compreensão
plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução
teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando
com ele no caminho do serviço, desde a Galiléia
até Jerusalém. Quem insiste em manter a idéia
de Pedro, isto é, do Messias glorioso sem a cruz, nada
vai entender de Jesus e nunca chegará a tomar a atitude
do verdadeiro discípulo. Quem souber crer em Jesus e fazer
a entrega de si (Lc 9,23-24), aceitar ser o último (Lc
22,26), beber o cálice e carregar sua cruz (Mt 20,22; Mc
10,38), este, como o cego, mesmo tendo idéias não
inteiramente corretas, conseguirá enxergar e “seguirá
Jesus no caminho” (Lc 18,43). Nesta certeza de caminhar
com Jesus está a fonte da coragem e a semente da vitória
sobre a cruz.
4) Para
um confronto pessoal
1) Como vejo e sinto
o grito dos pobres: migrantes, negros, aidéticos, mendigos,
refugiados, tantos?
2) Como é a minha fé: fixo-me mais nas minhas idéias
sobre Jesus ou em Jesus?
5) Oração
final
Feliz quem não
segue o conselho dos maus,
não anda pelo caminho dos pecadores
nem toma parte nas reuniões dos zombadores,
mas na lei do Senhor encontra sua alegria
e nela medita dia e noite. (Sal 1, 1-2)