Segunda-feira da 32ª Semana do Tempo Comum (10
de novembro de 2008)
1) Oração
Deus de poder e
misericórdia,
afastai de nós todo obstáculo para que,
inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.
2)
Leitura do Evangelho (Lucas 17, 1-6)
Naquele tempo,
1Jesus disse também
a seus discípulos: É impossível que não
haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!
2Melhor lhe seria que
se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e
que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um
só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.
3Se teu irmão pecar,
repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe. 4Se
pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te,
dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás. 5Os
apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé!
6Disse o Senhor: Se tiverdes
fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira:
Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.
- Palavra da salvação.
3)
Reflexão Lucas 17,1-6
* O evangelho de
hoje traz três palavras distintas de Jesus: uma sobre como
evitar o escândalo dos pequenos, outra sobre a importância
do perdão e uma terceira sobre o tamanho da fé em
Deus que devemos ter.
* Lucas 17,1-2:
Primeira palavra: evitar o escândalo
“Jesus disse
a seus discípulos: "É inevitável que
aconteçam escândalos, mas, ai daquele que produz
escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma
pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que
escandalizar um desses pequeninos”. Escândalo é
aquilo que faz a pessoa tropeçar e cair. No nível
da fé significa aquilo que desvia a pessoa do bom caminho.
Escandalizar os pequenos é ser motivo pelo qual os pequenos
se desviem e percam a fé em Deus. Quem faz isto recebe
a seguinte sentença: “Corda no pescoço amarrada
numa pedra de moinho para ser jogado no fundo do mar!” Por
que tanta severidade? É porque Jesus se identifica com
os pequenos, os pobres. (Mt 25,40.45). São os seus preferidos,
os primeiros destinatários da Boa Nova (cf. Lc 4,18). Quem
toca neles, toca em Jesus! Ao longo dos séculos, muitas
vezes, nós cristãos pelo nosso modo de viver a fé
fomos motivo pelo qual os pequenos se afastaram da igreja e procuraram
outras religiões. Já não conseguiam crer,
como dizia o apóstolo na carta aos romanos, citando o profeta
Isaías: "Por causa de vocês, o nome de Deus
é blasfemado entre os pagãos." (Rm 2,24; Is
52,5; Ez 36,22). Até onde nós temos culpa? Será
que merecemos a corda no pescoço?
* Lucas 17,3-4:
Segunda palavra: Perdoar o irmão
“Prestem atenção!
Se o seu irmão peca contra você, chame a atenção
dele. Se ele se arrepender, perdoe. Se ele pecar contra você
sete vezes num só dia, e sete vezes vier a você,
dizendo: 'Estou arrependido', você deve perdoá-lo”.
Sete vezes por dia! Não é pouco! Jesus pede muito!
No evangelho de Mateus, ele diz que devemos perdoar até
setenta vezes sete! (Mt 18,22). O perdão e a reconciliação
são um dos assuntos em que Jesus mais insiste. A graça
de poder perdoar as pessoas e reconcilia-las entre si e com Deus
foi dada a Pedro (Mt 16,19), aos apóstolos (Jo 20,23) e
à comunidade (Mt 18,18). A parábola sobre a necessidade
de perdoar o próximo não deixa dúvida: se
não perdoarmos aos irmãos, não podemos receber
o perdão de Deus (Mt 18,22-35; 6,12.15; Mc 11,26). Pois
não há proporção entre o perdão
que recebemos de Deus e o perdão que devemos oferecer ao
próximo. O perdão com que Deus nos perdoa gratuitamente
é como dez mil talentos comparados com cem denários
(Mt 18,23-35). A Bíblia de Jerusalém fez o cálculo:
dez mil talentos são 174 toneladas de ouro; cem denários
não passam de 30 gramas de ouro.
* Lucas 17,5-6:
Terceira palavra: Aumentar em nós a fé
“Os apóstolos
disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé!" O Senhor
respondeu: "Se vocês tivessem fé do tamanho
de uma semente de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: 'Arranque-se
daí, e plante-se no mar'. E ela obedeceria a vocês”.
Neste contexto de Lucas, a pergunta dos apóstolos aparece
como motivada pela ordem de Jesus de perdoar até sete vezes
por dia ao irmão ou à irmã que pecar contra
nós. Não é fácil perdoar. O coração
fica magoado, e a razão arruma mil motivos para não
perdoar. Só com muita fé em Deus é possível
chegarmos ao ponto de ter um amor tão grande que ele nos
torne capazes de perdoar até sete vezes por dia ao irmão
que peca contra nós. Humanamente falando, aos olhos do
mundo, perdoar assim é loucura e escândalo, mas para
nós tal atitude é expressão da sabedoria
divina que nos perdoa infinitamente mais. Dizia Paulo: “Nós
anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus
e loucura para os pagãos. (1Cor 1,23) .
4) Para
um confronto pessoal
1) Na minha vida,
alguma vez, já fui motivo de escândalo par o meu
próximo? Ou alguma vez, os outros foram motivo de escândalo
para mim?
2) Será que sou capaz de perdoar sete vezes por dia ao
irmão ou à irmã que me ofende sete vezes
por dia?
5) Oração
final
Cantai em sua honra,
tocai para ele,
recordai todos os seus milagres.
Gloriai-vos do seu santo nome,
alegre-se o coração dos que buscam o Senhor. (Sal
104, 2-3)