Terça-feira da 31ª Semana do Tempo Comum (4
de novembro de 2008)
1) Oração
Ó Deus de
poder e misericórdia,
que concedeis a vossos filhos e filhas
a graça de vos servir como devem,
fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.
2)
Leitura do Evangelho (Lucas 14, 15-24)
Naquele tempo,
15A estas palavras, disse
a Jesus um dos convidados: Feliz daquele que se sentar à
mesa no Reino de Deus! 16Respondeu-lhe
Jesus: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas.
17E à hora da ceia,
enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já
está preparado. 18Mas
todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro:
Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me
dês por escusado. 19Disse
outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las;
rogo-te me dês por escusado. 20Disse
também um outro: Casei-me e por isso não posso ir.
21Voltou o servo e referiu
isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família
disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas
ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos
e os coxos. 22Disse o servo:
Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar.
23O senhor ordenou: Sai
pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se
encha a minha casa. 24Pois
vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará
a minha ceia.
3)
Reflexão Lucas 14,15-24
* O evangelho de
hoje continua a reflexão em torno de assuntos ligados à
mesa e à refeição. Jesus conta a parábola
do banquete. Muita gente tinha sido convidada, mas a maioria não
veio. O dono da festa ficou indignado com a desistência
dos convidados e mandou chamar os pobres, os aleijados, os cegos,
os mancos. Mesmo assim sobrava lugar. Então, mandou convidar
todo mundo, até que a casa ficasse cheia. Esta parábola
era uma luz para comunidades do tempo de Lucas.
* Nas comunidades
do tempo de Lucas havia cristãos, vindos do judaísmo
e cristãos, vindos da gentilidade, chamados de pagãos.
Apesar das diferenças de raça, classe e gênero,
eles tinham um grande ideal de partilha e de comunhão (At
2,42; 4,32; 5,12). Mas havia muitas dificuldades, pois os judeus
normas de pureza legal que os impediam de comer com os pagãos.
Mesmo depois de terem entrado na comunidade cristã, alguns
deles mantinham o costume antigo de não sentar à
mesma mesa com um pagão. Assim, Pedro teve conflitos na
comunidade de Jerusalém, por ter entrado na casa de Cornélio,
um pagão, e ter comido com ele (At 11,3). Em vista desta
problemática das comunidades, Lucas conservou uma série
de palavras de Jesus a respeito da comunhão de mesa (Lc
14,1-24). A parábola que aqui meditamos é um retrato
do que estava acontecendo nas comunidades.
* Lucas 14,15: Feliz
quem come o pão no Reino de Deus
Jesus tinha acabado
de contar duas parábolas: uma, sobre a escolha dos lugares
(Lc 14,7-11), e outra, sobre a escolha dos convidados (Lc 14,12-14).
Ouvindo estas parábolas, alguém que estava à
mesa com Jesus deve ter percebido o alcance do ensinamento de
Jesus e disse: "Feliz quem come o pão no Reino de
Deus!". Os judeus comparavam o tempo futuro do Messias a
um banquete, marcado pela fartura, pela gratidão e pela
comunhão (Is 25,6; 55,1-2; Sl 22,27). A fome, a pobreza
e a carestia faziam o povo esperar, para o futuro, aquilo que
não podiam obter no presente. A esperança dos bens
messiânicos, comumente experimentadas nos banquetes, era
projetada para o final dos tempos.
* Lucas 14,16-20:
O grande jantar está pronto
Jesus responde com
uma parábola. "Um homem estava dando um grande jantar
e convidou muita gente". Mas os deveres de cada dia impedem
os convidados de aceitar o convite. O primeiro diz: “Comprei
um terreno. Preciso vê-lo!” O segundo: “Comprei
cinco juntas de bois! Vou experimentá-las!” O terceiro:
“Casei. Não posso ir!”. Dentro das normas e
costumes da época, aquelas pessoas tinham o direito de
recusar o convite (cf. Dt 20,5-7).
* Lucas 14,21-22:
O convite permanece de pé
O dono da festa
fica indignado com a recusa. No fundo, quem está indignado
é o próprio Jesus, pois as normas da estrita observância
da lei reduziam o espaço para o povo viver a gratuidade
de um convite amigo que gerava fraternidade e partilha. Aí,
o dono da festa mandou os empregados convidar os pobres, os cegos,
os aleijados e os mancos. Os que, normalmente, eram excluídos
como impuros, agora são convidados para sentar-se à
mesa do banquete.
* Lucas 14,23-24:
Ainda tem lugar
A sala não
ficou cheia. Ainda havia lugar. Então, o dono da casa manda
convidar os que andam pelo caminhos e trilhas. São os pagãos.
Eles também são convidados para sentar-se à
mesa. Assim, no banquete da parábola de Jesus, sentam todos
juntos na mesma mesa, judeus e pagãos. No tempo de Lucas
havia muitos problemas que impediam a realização
deste ideal da mesa comum. Por meio da parábola, Lucas
mostra que a prática da comunhão de mesa vinha do
próprio Jesus.
Depois da destruição
de Jerusalém, no ano 70, os fariseus assumiram a liderança
nas sinagogas, exigindo o cumprimento rígido das normas
que os identificavam como povo judeu. Os judeus que se convertiam
ao cristianismo eram vistos como uma ameaça, pois eles
derrubavam os muros que separavam Israel dos outros povos. Os
fariseus tentavam obrigá-los a abandonar a fé em
Jesus. Como não o conseguiam, os expulsavam das sinagogas.
Tudo isto provocou uma lenta e progressiva separação
entre judeus e cristãos e era fonte de muito sofrimento,
sobretudo, para os judeus convertidos (Rm 9,1-5). Na parábola,
Lucas deixa bem claro que estes judeus convertidos não
eram infiéis ao seu povo. Pelo contrário! Eles são
os convidados que não recusaram o convite. Eles são
os verdadeiros continuadores de Israel. Infiéis foram os
que recusaram o convite e não quiseram reconhecer em Jesus
o Messias (Lc 22,66; At 13,27).
4) Para
um confronto pessoal
1. Quais as pessoas
que normalmente são convidadas e quais as que não
são convidadas para as nossas festas?
2. Quais os motivos que hoje limitam a participação
das pessoas na sociedade e na igreja? E quais os motivos que alguns
alegam para se excluir da comunidade? Será que são
motivos justos?
5) Oração
final
As obras do Senhor
são esplendor e beleza;
sua justiça dura para sempre.
Deixou uma lembrança dos seus prodígios:
o Senhor é piedade e ternura. (Sal 110, 3-4)