Segunda-feira da 31ª Semana do Tempo Comum
(3 de novembro de 2008)
1) Oração
Ó Deus de
poder e misericórdia,
que concedeis a vossos filhos e filhas
a graça de vos servir como devem,
fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.
2)
Leitura do Evangelho (Lucas 14, 12-14)
Naquele tempo,
12Dizia igualmente ao
que o tinha convidado: Quando deres alguma ceia, não convides
os teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os
vizinhos ricos. Porque, por sua vez, eles te convidarão
e assim te retribuirão. 13Mas,
quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos
e os cegos. 14Serás
feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas
ser-te-á retribuído na ressurreição
dos justos. - Palavra da salvação.
3) Reflexão
* O evangelho de
hoje dá continuidade ao ensinamento que Jesus estava dando
em torno de vários assuntos, todos ligados à mesa
e à refeição: uma cura durante a refeição
(Lc 14,1-6); um conselho para não ocupar logo os primeiros
lugares (Lc 14,7-12); um conselho para convidar os excluídos
(Lc 14,12-14). Esta organização das palavras de
Jesus em torno de uma determinada palavra, como mesa ou refeição,
ajuda a perceber o método usado pelos primeiros cristãos
para guardar na memória as palavras de Jesus
* Lucas 14,12: Convite
interesseiro
Jesus está
jantando na casa de um fariseu que o tinha convidado (Lc 14,1).
O convite para o jantar é o assunto do ensinamento do evangelho
de hoje. Existem vários tipos de convite: convites interesseiros
em benefício de si mesmo e convites desinteressados em
benefício dos outros. Jesus diz: "Quando você
der um almoço ou jantar, não convide amigos, nem
irmãos, nem parentes, nem vizinhos ricos. Porque esses
irão, em troca, convidar você. E isso será
para você recompensa”. O costume normal do povo era
este: para almoçar ou jantar eles convidavam amigos, irmãos
e parentes. Pois sentar à mesa com pessoas desconhecidas
ninguém fazia. Comunhão de mesa só com gente
amiga! Este era o costume entre os judeus. É este também
o nosso costume até hoje. Jesus pensa diferente e manda
fazer convites desinteressados que ninguém costuma fazer.
* Lucas 14,13-14:
Convite desinteressado
Jesus diz: “Quando
você der uma festa, convide pobres, aleijados, mancos e
cegos”. Jesus manda romper o círculo fechado e pede
para convidar os excluídos: pobres, aleijados, mancos,
cegos. Este não era o costume e, até hoje, ninguém
faz isso. Mas Jesus insiste: “Convida esse pessoal!”
Por que? Porque no convite desinteressado, dirigido a pessoas
excluídas e marginalizadas, existe uma fonte de felicidade:
“Então você será feliz! Porque eles
não lhe podem retribuir”. Felicidade estranha, diferente!
Você será feliz porque eles não podem retribuir.
É a felicidade que nasce do fato de você ter feito
um gesto de gratuidade total. Um gesto de amor que quer o bem
do outro e para o outro, sem esperar nada em troca. É a
felicidade de quem faz as coisas gratuitamente, sem querer nenhuma
retribuição. Jesus diz que esta felicidade é
a semente da felicidade que Deus vai dar na ressurreição.
Ressurreição, não só no fim da história,
mas já desde agora. Agir assim já é uma ressurreição!
* É o Reino
acontecendo. O conselho que Jesus nos dá no evangelho de
hoje evoca o envio dos setenta e dois discípulos para a
missão de anunciar o Reino (Lc 10,1-9). Entre as várias
recomendações dadas naquela ocasião como
sinais da presença do Reino, estão (1) a comunhão
de mesa e (2) a acolhida aos excluídos: “Quando entrarem
numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês,
curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: O Reino de
Deus chegou!” (Lc 10,8-9) Aqui, nestas recomendações,
Jesus manda transgredir aquelas normas de pureza legal que impediam
a convivência fraterna.
4) Para
um confronto pessoal
1) Convite interesseiro
e convite desinteressado: qual dos dois acontece mais na minha
vida?
2) Se você fizesse só convites desinteressados, isto
lhe traria dificuldades? Quais?
5) Oração
final
Senhor, meu coração
não se orgulha
e meu olhar não é soberbo;
não ando atrás de coisas grandes,
superiores às minhas forças.
Antes, me acalmo e tranqüilizo,
como criança desmamada no colo da mãe,
como criança desmamada é minha alma. (Sal 130, 1-2)