Quarta-feira
da 30ª Semana do Tempo Comum (29 de outubro de 2008)
1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso,
aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade
e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.
2)
Leitura do Evangelho (Lucas 13, 22-30)
22Sempre
em caminho para Jerusalém, Jesus ia atravessando cidades
e aldeias e nelas ensinava.23Alguém
lhe perguntou: Senhor, são poucos os homens que se salvam?
Ele respondeu:24Procurai
entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão
entrar e não o conseguirão.25Quando
o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós,
de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor,
Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não
sei de onde sois.26Direis
então: Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste em nossas
praças.27Ele, porém,
vos dirá: Não sei de onde sois; apartai-vos de mim
todos vós que sois malfeitores.28Ali
haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão,
Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós
serdes lançados para fora.29Virão
do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão
à mesa no Reino de Deus.30Há
últimos que serão os primeiros, e há primeiros
que serão os últimos.
3)
Reflexão Lucas 13, 22-30
* O evangelho de
hoje traz mais um episódio acontecido durante a longa caminhada
de Jesus desde a Galiléia até Jerusalém,
cuja descrição ocupa mais de uma terça parte
do evangelho de Lucas (Lc 9,51 a 19,28).
* Lucas 13,22: A
caminho de Jerusalém
“Jesus atravessava
cidades e povoados, ensinando e prosseguindo caminho para Jerusalém”.
Mais uma vez Lucas menciona que Jesus está a caminho de
Jerusalém. Durante os dez capítulos que descrevem
a viagem até Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28), Lucas,
constantemente, lembra que Jesus está a caminho de Jerusalém
(Lc 9,51.53.57; 10,1.38; 11,1; 13,22.33; 14,25; 17,11; 18,31;
18,37; 19,1.11.28). O que é claro e definido, desde o começo,
é o destino da viagem: Jerusalém, a capital, onde
Jesus será preso e morto (Lc 9,31.51). Raramente, informa
o percurso e os lugares por onde Jesus passava. Só no começo
da viagem (Lc 9,51), no meio (Lc 17,11) e no fim (Lc 18,35; 19,1),
ficamos sabendo algo a respeito do lugar por onde Jesus estava
passando. Deste modo, Lucas sugere o seguinte ensinamento: temos
que ter claro o objetivo da nossa vida, e assumi-lo decididamente
como Jesus fez. Devemos caminhar. Não podemos parar. Nem
sempre, porém, é claro e definido por onde passamos.
O que é certo é o objetivo: Jerusalém, onde
nos aguarda o “êxodo” (Lc 9,31), a paixão,
morte e ressurreição.
* Lucas 13,23:
A pergunta sobre os número dos que se salvam
Nesta caminhada
para Jerusalém acontece de tudo: informações
sobre massacres e desastres (Lc 13,1-5), parábolas (Lc
13,6-9.18-21), discussões (Lc 13,10-13) e, no evangelho
de hoje, perguntas do povo: "Senhor, é verdade que
são poucos aqueles que se salvam?" Sempre a mesma
pergunta em torno da salvação!
* Lucas 13,24-25:
A porta estreita
Jesus diz que a
porta é estreita: "Façam todo o esforço
possível para entrar pela porta estreita, porque eu lhes
digo: muitos tentarão entrar, e não conseguirão”.
Será que Jesus diz isto só para encher-nos de medo
e obrigar-nos a observar a lei como ensinavam os fariseus? O que
significa esta porta estreita? De que porta se trata? No Sermão
da Montanha Jesus sugere que a entrada para o Reino tem oito portas.
São as oito categorias de pessoas das bem-aventuranças:
(1) pobres em espírito, (2) mansos, (3) aflitos, (4) famintos
e sedentos de justiça, (5) misericordiosos, (6) puros de
coração, (7) construtores da paz e (8) perseguidos
por causa da justiça (Mt 5,3-10). Lucas as reduziu para
quatro: (1) pobres, (2) famintos, (3) tristes e (4) perseguidos
(Lc 6,20-22). Só entra no Reino quem pertence a uma destas
categorias enumeradas nas bem-aventuranças. Esta é
a porta estreita. É o novo olhar sobre a salvação
que Jesus nos comunica. Não há outra porta! Trata-se
da conversão que Jesus pede de nós. Ele insiste:
"Façam todo o esforço possível para
entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo: muitos tentarão
entrar, e não conseguirão. Uma vez que o dono da
casa se levantar e fechar a porta, vocês vão ficar
do lado de fora. E começarão a bater na porta, dizendo:
Senhor, abre a porta para nós! E ele responderá:
Não sei de onde são vocês”. Enquanto
a hora do julgamento não chegar, é tempo favorável
para a conversão, para mudar nossa visão sobre a
salvação e entrar em uma das oito categorias.
* Lucas 13,26-28:
O trágico mal-entendido
Deus responde aos
que batem na porta: “Não sei de onde são vocês”.
Mas eles insistem e argumentam: Nós comíamos e bebíamos
diante de ti, e tu ensinavas em nossas praças! Não
basta ter convivido com Jesus, de ter participado da multiplicação
dos pães e de ter escutado seus ensinamentos nas praças
das cidades e povoados. Não basta ter ido à igreja
e de ter participado das instruções do catecismo.
Deus responderá: Não sei de onde são vocês.
Afastem-se de mim, todos vocês que praticam injustiça!”.
Mal-entendido trágico e falta total de conversão,
de compreensão. Jesus declara injustiça aquilo que
os outros consideram ser coisa justa e agradável a Deus.
É uma visão totalmente nova sobre a salvação.
A porta é realmente estreita.
* Lucas 13,29-30:
A chave que explica o mal-entendido
“Muita gente
virá do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão
lugar à mesa no Reino de Deus. Vejam: há últimos
que serão primeiros, e primeiros que serão últimos".
Trata-se da grande mudança que se operou com a vinda de
Deus até nós em Jesus. A salvação
é universal e não só do povo judeu. Todos
os povos terão acesso e poderão passar pela porta
estreita.
4) Para
um confronto pessoal
1) Ter o objetivo
claro e caminhar para Jerusalém: Será que tenho
objetivos claros na minha vida ou deixo-me levar pelo vento do
momento da opinião pública?
2) A porta é estreita. Qual a visão que tenho da
Deus, da vida, da salvação?
5)
Oração final
10Glorifiquem-vos,
Senhor, todas as vossas obras,
e vos bendigam os vossos fiéis.
Que eles apregoem a glória de vosso reino,
e anunciem o vosso poder. (Sal 144, 10-11)