Origens
Elegeram um superior, e pediram ao patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, que lhes escrevesse uma regra que estivesse de acordo com o seu propósito de vida. Isso ocorreu entre 1206-1214. A Regra Albertina pode ser dividida em duas partes: a organização externa do Carmelo e a vida interior dos carmelitas. Substancialmente a regra é eremítica. Os religiosos viverão em celas separadas, escavadas na rocha; haverá um lugar central para o oratório; nele se recitarão o Ofício Divino e a Missa Diária; nele também haverá lugar para o Capítulo conventual semanal. O porquê de sua vida é a contemplação, utilizando como meios principais a solidão, a mortificação e o trabalho manual. O guardião do eremitério é o Prior, eleito por maioria dentre os ermitões. Na obediência se concentram os votos religiosos; a pobreza é absoluta e o trabalho manual obrigatório. Junto a isto está a meditação contínua da Bíblia e o exercício das virtudes monásticas.
A princípio parecia que a Ordem não sairia da Palestina. Contudo mudanças políticas no país de Jesus obrigaram os carmelitas a emigrarem para a Europa. Os muçulmanos não desistiram da Terra Santa, e voltaram a perseguir os cristãos. Em 1238 se dá a transmigração dos carmelitas, que se estabelecem em Chipre, Sicília, França e Inglaterra. Em 1291, o mosteiro da Santa Montanha foi incendiado e martirizados os últimos carmelitas remanescentes. Foi muito difícil para a Ordem do Carmo permanecer na Europa conservando a tradição eremítica. Era preciso fazer adaptações à Regra de Sto Alberto, conciliar a vida contemplativa com uma vida de ministério a serviço da Igreja. Foi através do trabalho incansável de São Simão Sotck, Superior Geral da Ordem, que os carmelitas conseguiram a aprovação das mudanças necessárias pelo Papa Inocêncio IV. Assim, nasceu no Carmelo um modo de"vida mista" : a vida ativa se exerce como fruto e conseqüência da contemplação que continua sendo fundamento e princípio da vocação carmelitana.
O Escudo da Ordem do Carmo aparece pela primeira vez no séc.XV, em 1499, figurando na capa do livro da vida de Santo Alberto. Primeiro em forma simples, ele foi modificando-se em detalhes no correr dos anos. Falta uma explicação oficial do mesmo na Ordem. Vamos expor o que nos parece mais autêntico, seguindo as fontes históricas e mais autorizadas.
Encontramos nele 2 elementos fundamentais: o campo e as estrelas. São 3 estrelas, cada uma de 6 pontas. A estrela inferior representa a Virgem Maria, e as outras 2 superiores, à direita e à esquerda do Monte, os profetas Elias e Eliseu. Sendo assim elas indicariam a índole mariana da Ordem e sua origem eliana. Quanto às cores, o branco e o marrom, aparecem combinados e correspondem às cores do hábito dos carmelitas. Em 1595 aparece o escudo com a coroa ducal, e sobre ela um semicírculo com 12 estrelas, o braço e a espada de Elias, com o dístico: "Zelo zelatus sum pro Domino Deo Exercituum" = Morro de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos.