Data : 16/07/2015

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As Novas Constituições

7.7 As Novas Constituições (1995)

Com a promulgação do novo Código de Direito Canônico em 1983 e os avanços na auto-compreensão da Ordem, tornou-se necessário revisar as Constituições da Ordem. Um esboço foi apresentado ao Capítulo Geral em 1989, mas ficou decidido que era preciso uma consulta mais ampla a toda a Ordem. Este esboço apresentava um significativo conteúdo mariano. A declaração principal encontra-se na primeira parte sobre o carisma da Ordem.
Maria, envolvida pela sombra do Espírito de Deus (Lc1,35), é a Virgem do coração novo (Ez 36,26), que dá um rosto humano à Palavra que se faz carne. É a Virgem da escuta sapiente e contemplativa, que conserva e medita no seu coração os acontecimentos e a palavra do Senhor (cf. Lc 2,19.51). É a discípula fiel da sabedoria, que busca Jesus – Sabedoria de Deus – e pelo seu Espírito se deixa educar e plasmar para assimilar na fé o estilo e as opções de vida (Lc 2,44-50). Assim educada, Maria é capaz de ler as “grandes coisas” que Deus realizou nela para a salvação dos humildes e dos pobres (Lc 1,46-55).

Maria, sendo também a Mãe do Senhor, torna-se a discípula perfeita dele, a mulher de fé (1). Segue Jesus, caminhando juntamente com os discípulos e, com eles compartilha o penoso e comprometedor caminho que exige acima de tudo o amor fraterno e o serviço mútuo (Jo 13,13-17; 15,12-17). Nas bodas de Caná ensina-nos a acreditar em seu Filho (Jo 2,5), aos pés da Cruz torna-se a Mãe de todos os crentes (Jo 19,26) e com eles experimenta a alegria da ressurreição. Une-se com os outros discípulos em “oração contínua” (At 1,14) e recebe as primícias do Espírito, que enche a primeira comunidade cristã de zelo apostólico.

Maria é portadora da boa nova da salvação para todos os homens e mulheres (Lc 1,39). É a mulher que cria relações de comunhão, não só com os círculos mais restritos dos discípulos de Jesus, mas também com o povo: com Isabel, os esposos de Caná, as outras mulheres e os “irmãos” de Jesus (At 1,14).

Na Virgem Maria, Mãe de Deus e modelo da Igreja, os carmelitas encontram tudo aquilo que desejam e esperam ser (Prefácio da Festa do Carmelo) (2). Por isto, Maria foi sempre considerada a Padroeira da Ordem, da qual é também chamada Mãe e Esplendor, e tida sempre pelos carmelitas, diante dos olhos e no coração, como a “Virgem Puríssima”. Olhando para ela, aprendemos a estar diante de Deus e juntos como irmãos do Senhor. Maria, de fato, vive no meio de nós como mãe e como irmã, atenta às nossas necessidades, e junto a nós atende e espera, sofre e alegra-se (3).
O Escapulário é sinal do amor materno, permanente e estável, de Maria para com os irmãos e irmãs carmelitas.

Na sua tradição, sobretudo a partir do século XVI, o Carmelo manifestou a proximidade amorosa de Maria ao povo de Deus, mediante a devoção do Escapulário: sinal de consagração a ela, meio da agregação dos fiéis à Ordem e mediação popular e eficaz de evangelização.
[Notas: (1) Paulo VI, Marialis cultus 17 e 35; João Paulo II, Redemptoris Mater 12 e 19. (2) Vaticano II, Liturgia, SC 103. (3) V Conselho das Províncias 1979.]

Nas Constituições também existem referências à Maria no capítulo sobre a oração: devemos nos dedicar à oração seguindo o exemplo de Maria (At 1,14).290 Também existem artigos sobre a devoção à Maria, especialmente na liturgia, apesar das novas formas devocionais também serem recomendadas. A imitação é a forma principal de devoção.

Sobre o Escapulário, as Constituições afirmam:

O Escapulário do Carmo, como sacramental da Igreja, é símbolo adequado para exprimir a nossa devoção à Bem-aventurada Virgem Maria e também a agregação dos fiéis à Família Carmelita. Ele evoca as virtudes da Bem-aventurada Virgem, das quais nos devemos revestir, e particularmente a íntima união com Deus e o humilde serviço ao próximo na Igreja de Deus, na esperança da salvação eterna.

No processo de elaboração dos escritos das Constituições, foi acrescentado um amplo artigo sobre os santuários marianos:

Os santuários marianos, junto aos quais desenvolvemos o nosso apostolado, e onde, tradicionalmente, os fiéis se acercam em grande número, sejam tidos em grande consideração e tornem-se, sempre mais, centros da escuta orante da Palavra e da vida litúrgica, com adequadas celebrações de culto (Eucaristia e Reconciliação). Particularmente, sejam os nossos santuários cada vez mais centros de reflexão sobre o caminho de Maria e de evangelização com atenção à piedade popular para com a Mãe de Deus, da Igreja e dos homens. Na sua função exemplar os santuários são também lugares de acolhimento, mesmo vocacional; lugares de solidariedade, com iniciativas para com os irmãos necessitados; lugares de empenho ecumênico com encontros e orações.

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