Data : 13/07/2015

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9. Conclusão

conclusaoEsperamos que os sete capítulos deste livreto deixem claro que temos uma maravilhosa herança mariana. Este dom à Ordem deve ser apropriado pessoalmente além de ser partilhado com as outras pessoas. É necessário sermos, de imediato, tradicionais e criativos, ao vivermos e partilharmos este carisma. O último capítulo lembra que devemos buscar integrar nossa tradição mariana com a consciência mariológica mais ampla da Igreja. Mas isto não pode ser apenas um estudo teórico.

No nível pessoal, devemos conhecer Maria como pessoa, apreciar sua presença em nossas vidas, conhecer seu cuidado para conosco. Sem oração ou reflexão, estas experiências nunca serão doadoras de vida para nós. O modo pelo qual a Ordem é convidada hoje à reflexão e à contemplação está na redescoberta da lectio divina. Este modo de rezar os textos espirituais sobre Maria também é válido para nossos textos clássicos, ao buscarmos responder a eles nas situações de nossas vidas. Também existe uma necessidade de cultivar uma vida devocional adequada à condição e ao temperamento de cada indivíduo. A qualquer hora as pessoas podem não se sentir chamadas a práticas tradicionais particulares. Um valioso exemplo foi dado por Paulo VI quando defendeu exercícios de piedade que se inspiram no Rosário.

Duas recentes apresentações de nossa tradição são bons exemplos destas tentativas de integrar estudos recentes, especialmente bíblicos, com a nossa tradição. Em 1986 uma Comissão Mariana da Ordem divulgou uma Comunicação Provisória.327 Ela se concentrou
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nas imagens tradicionais de Maria usadas na Ordem e mostrou sua importância contemporânea. Ela também aprofundou a noção de consagração e do Escapulário hoje. A segunda contribuição foi a Carta de Fr. John Malley, Prior Geral, para o Ano Mariano em 1988.328 Esta carta é uma apresentação bíblica de Maria com fortes evocações de nossa tradição. O novo elemento trazido por ela foi o foco explícito na relevância contemporânea resumida em três pontos:

– conhecer melhor Maria:
– amar mais Maria
– imitar fielmente Maria.
É interessante que estes dois documentos, assim como a carta de Fr. Falco Thuis de 1983 vista no capítulo 6, remetem e mencionam a Miguel de Santo Agostinho. Não seria audácia minha sugerir que estamos sendo convidados a olhar novamente para este personagem negligenciado de nossa tradição. Certamente, ele seria um valioso antídoto, além de um questionamento, para esta erupção de aparições, onde apenas algumas delas parecem ser genuínas. Nossos místicos carmelitanos sempre sustentaram uma visão unificada, Maria e Jesus, sem qualquer confusão, sem uma ênfase infundada apenas sobre Maria. Ela sempre guia Jesus que, por sua vez, encontra-se com ela.

Uma renovação será sempre um diálogo entre nossa herança passada e nosso mundo contemporâneo. Existe a necessidade de um estudo mais amplo de nossos autores carmelitanos. Apesar de podermos apenas acolher as publicações recentes dos textos marianos em várias línguas,329 muito ainda precisa ser feito. Outros textos devem ser estudados e traduzidos, e membros da Ordem, especialmente aqueles envolvidos na formação, precisam estudar as publicações existentes e futuras.

Temos de ser criativos quando buscamos maneiras de construirmos elos psicológicos e espirituais com a Virgem. Talvez seja cedo para fazer um julgamento justo ou firme, mas pode ser que no período depois do Vaticano II tenha havido uma poda excessiva das práticas e das devoções marianas. Nossa herança mariana precisa ser expressa na teologia, nos símbolos, na arte, na poesia, na devoção, nas práticas apropriadas, adequadas aos membros da Ordem, e na atividade pastoral. Apenas o escrito teológico não garantirá o dinamismo de uma vida mariana.

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No nível comunitário, existe a necessidade de algumas expressões de nossa vida mariana. Celebrações litúrgicas em honra da Mãe do Carmelo são obviamente as mais importantes. Mas também existem outras possibilidades tais como os grupos de oração, especialmente para a lectio divina. O que devemos buscar é um desenvolvimento da consciência mariana de toda a comunidade, de modo que uma parte essencial de sua identidade e de seu trabalho deixem transparecer sua atitude e seu colorido mariano. Na prática, também seria bom escolher uma oração ou ação que resumirá e enfocará cada impulso mariano na comunidade. Nas atividades pastorais certamente existem muitas possibilidades: celebração de festas, pregação, palestras, catecumenato de adultos, grupos de oração, círculos bíblicos, lectio divina, meios de comunicação e escritos, tanto populares quanto científicos. Nestes níveis de missão individual, comunitária e de nossa missão apostólica o que é importante não é quantidade, mas a qualidade de nossas expressões marianas. No entanto, numa Ordem pluriforme, onde mesmo numa área geográfica pode

existir uma necessidade de diferentes abordagens, podemos aprender continuamente com o que está acontecendo com a Ordem nos diferentes lugares. Novamente, num tempo de renovação, nem tudo que deveria ou poderia ser tentado terá sucesso. Existe a necessidade não apenas da criatividade, mas também da paciência e do maduro discernimento. Também existe a necessidade de rezarmos para o Espírito Santo, para que possamos ser instruídos como adotar e servir o dom mariano que recebemos. Tudo o que nos foi confiado como uma herança, deve ser guardado e animado, para entregarmos à Igreja.

Em toda esta tentativa de conhecer e amar a Bem-aventurada Mãe e torná-la mais conhecida e amada, podemos ter certeza de sua presença gentil e constante. Ela é aquela que sempre esteve com a Ordem em todas as suas vicissitudes. Seu dom ao Carmelo foi ser sua “Mãe e Ornamento” e uma “Presença Amorosa”.

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