Data : 13/07/2015

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A Consagração e o Escapulário

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Já estudamos o Escapulário e vimos nele uma forma significativa da devoção mariana. Mas deveríamos também aprofundar nossa apreciação do Escapulário dentro do contexto da valiosa reflexão teológica moderna dando-nos o significado da consagração, algo que já consideramos brevemente no capítulo 4.319

No século XX a noção de consagração dos indivíduos e do mundo à Maria aparece em primeiro plano. A exigência feita por Maria em Fátima, de que o mundo fosse consagrado ao seu Imaculado Coração, não é a razão menos importante. Algumas pessoas na Igreja podem ver que os bispos, mesmo os papas, não consideraram este pedido com a seriedade suficiente. No entanto, devemos ser cuidadosos com todas as aparições: mesmo quando são oficialmente sancionadas de acordo com a lei da Igreja, as comunicações que chegam a nós nas aparições devem estar sempre sujeitas ao mais cuidadoso exame teológico. A razão para isto não está em ver os teólogos como juízes das afirmações de Maria, mas as comunicações da Virgem, quase invariavelmente aos pobres, aos simples ou às crianças, podem sofrer a distorção da linguagem humana – tanto em sua compreensão, quanto em sua tradução – e das limitações culturais do tempo e do lugar da aparição.

Respondendo esta crítica aos papas, podemos apontar para uma série de atos papais de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria desde o tempo de Pio XII.320 João Paulo II convidou os bispos a se unirem a ele num ato de confiança em Maria, em 25 de março de 1984.321

Muitos teólogos concordam que, em seu sentido pleno, a consagração é um importante e sublime ato de culto. Latria ou adoração, é um ato que se deve apenas a Deus. Além disso, a consagração radical é um ato de Deus em nós pela graça e pelos sacramentos. Nossos atos de consagração são apenas uma resposta ao que Deus já faz em nós basicamente desde o batismo. Mas existe também um entendimento de que pode haver uma consagração analógica à Maria, ou seja, uma consagração que não termina nela, mas que é uma consagração a Deus através dela. A consagração a Maria pode se vista como um reconhecimento de todas as implicações de sua maternidade.322

Existem escritos teológicos sobre a possível distinção entre a consagração à Maria e a confiança em Maria. Alguns autores sustentam que os termos “consagração” e “confiança” são idênticos. Outros afirmam que existe uma relação entre eles e que o termo consagração deveria ser evitado por causa de sua ambigüidade – um ato, propriamente falando, que pertence a Deus, mas aplicado analogicamente à Maria.323 Além disso, podemos notar o forte cristocentrismo no ato de confiança de 1984 feito por João Paulo II.324 Talvez seja notável que num congresso convocado em Manila em 1988 para renovar a consagração das Filipinas, a cerimônia tenha sido realizada em duas partes: um ato de consagração a Deus e um ato de confiança em Maria.
Quando falamos de consagração mariana, devemos pensar em primeiro lugar na própria Maria como a pessoa que mais se consagrou a Deus: “Maria é, acima de tudo, o modelo e o protótipo da consagração da qual não apenas a Igreja, mas cada cristão, é convidado a partilhar”.325 Como ela é a Mãe que intercede, é natural que nos confiemos a ela. Como ela é um exemplo, ela define nossa resposta a Deus, através do discipulado de seu Filho. Já que é nossa Mãe e uma presença permanente em nossas vidas, estamos certos ao nos comprometermos com o seu zelo.

Estas reflexões teológicas modernas sobre a consagração podem nos ajudar a enriquecer nossa apreciação do Escapulário como um símbolo que expressa nossa confiança em Maria. Elas também podem nos ajudar a descobrirmos a melhor maneira de apresentarmos a devoção ao Escapulário nos dias de hoje.

8.4 Conclusão
Podemos ver que a revitalização de nossa herança mariana carmelitana envolve uma interação criativa entre suas riquezas e os desenvolvimentos modernos da mariologia na Igreja. Devemos ser criativos. Não é suficiente acrescentarmos algo da teologia moderna aqui e acolá nos textos clássicos. Nem tudo que vem sendo dito sobre Maria hoje será, necessariamente, incorporado à mariologia carmelitana. Nossa visão de Maria será sempre parcial. Muitas descobertas profundas sobre a Virgem serão desenvolvidas por outros. Mas devemos nos manter em diálogo com a atual orientação do Espírito sobre o mistério da pessoa e do papel de Maria. Ao fazermos isso, aprenderemos gradualmente, como Ordem, o que deveríamos incorporar à nossa tradição. Certamente assumiremos alguns temas que nossos sucessores não receberão – no sentido técnico de possuir e de encontrar plenamente a vida doadora.326 Nunca haverá uma abordagem definitiva do carisma mariano

carmelitano. Como uma realidade viva, continuamente inflamada e apoiada pelo Espírito, ela crescerá e se desenvolverá, apesar dos tempos de declínio e abandono. É um desafio para cada época aceitar a tradição que for transmitida, desenvolvê-la no coração da Igreja e, por sua vez, enriquecê-la pensando nas gerações futuras.

8.5 Lectio Divina
Para a lectio divina hoje vamos assumir aquele que é provavelmente o texto central da mariologia moderna: Lc 1,26-38 descrevendo a Anunciação. Vamos orar a Anunciação. Junto com ele poderíamos usar o texto que os carmelitas usam freqüentemente na liturgia: Jo 19,25-27. Unidos eles podem abrir nossos corações para nossas tradições mais profundas e para o que o Espírito está dizendo às Igrejas (ver Ap 2:17).

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